(texto adiado em razão da minha efermidade, oh! que drama! Não confiem nos "ontens")
Ontem ouvi duas entrevistas (uma no rádio e outra na revista veja AKA manual da classe média assustada/assustadiça) e, refletindo, encontrei alguns pontos em comum.
A primeira foi com uma professora de universidade no Rio de Janeiro que discorria sobre a imposição do modelo Barbie/Suzie no mercado de brinquedos para meninas. Criticou a imposição do modelo americano e a educação "cor-de-rosa" que as meninas recebem; segundo ela, não prepara as meninas para o mundo competitivo, o mercado (prestar atenção a esses conceitos, falarei deles a seguir) diferente dos meninos, sempre acostumados a competir.
Não discordo da professora, todavia:
1) Os Eua é o país que mais recebe imigrantes no mundo, multidões de paquistaneses, italianos, sírios, mexicanos e guatemaltecos entram diariamente no país, portanto, nem todas as garotas "estadunidenses" tem esse padrão "Barbieano". É um erro apenas demonizar os Eua e esquecer que se trata de um país complexo, tão ou mais quanto o nosso. Essa questão deve ser tratada com cuidado, e não neste viés "bem versus mal"
2)Se ela condena o padrão das bonecas, faz um elogio ao "mercado" e a "competição". Não sou ingênuo e sei que o mundo atual se estrutura assim, mas poxa, aonde o "mercado" e a "competição" nos levou? a um mundo onde um assalariado livre trabalha mais que um escravo do século passado, um mundo onde as crianças fazem vestibular pra entrar na pré-escola (no mínimo).
Além disso, é um conceito tão importado quanto as bonecas que amaldiçoou: a revolução industrial iniciou o "viver para trabalhar" ao invés do "trabalhar para viver". Devia ter sido engraçado naqueles primeiros tempos: os burgueses de Manchester parando de gastar para acumular e investir em mais fábricas.
aí entra a entrevista da Veja, o entrevistado é Rubens Barrichello (Auto-Retrato, Página 158, edição 2059). Perguntado sobre o que o estimulava a continuar na carreira com um carro ruim, respondeu algo como "apenas a paixão pela velocidade, e não me interessa o que os outros pensem, se fazem piada ou não". Achei uma coisa bonita o fato do corredor não priorizar a competição em sua vida (que o fez aceitar uma posição humilhante há poucos anos). O estranho foi ele ter dito que o que o inspirou a essa nova tomada de posição foram alguns cafonérrimos livros de auto-ajuda, cujo mote nunca foi outro que o "melhore, seja o melhor, seja um vencedor também".
Passei a vê-lo com um pouco mais de simpatia, embora ele afirme que "ainda quero ser campeão do mundo". O velho Rubinho ainda existe nele, persistindo nos velhos sonhos?
Esse conceito de competição desmedida e o culto ao Winner é perigoso num país terceiromundista como o Brasil, onde ao menos metade da população tá fora do jogo desde o começo, e quem perde não pode recorrer a nada nem a ninguém. O Laissez-Faire do mercado acaba deixando as pessoas à própria sorte, o mercado se auto-regula (em tese), as pessoas não.
Por um mundo mais equilibrado, por assim dizer, é isso que eu espero, sem esperança.
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Domingo, Maio 04, 2008
competição
Sexta-feira, Maio 02, 2008
Sábado, Abril 19, 2008
dos diários
Diários nem sempre são em primeira pessoa, nem necessariamente são uma coleçãozinha de arroubos de subjetividade e desejos inconfessos pela fala (e, por que não, pelo próprio corpo)
De sorte que podem ser escritos de toda forma e realmente o são, embora jamais abandonem certo tom confessional (Afinal, não há sentido em falsear-se num caderno escolhido para ser lido [quase sempre] pelo próprio autor). São tão plurais quanto o número de autores possíveis. Ardores de adolescente envelhecendo os olhos jovens, confissões objetivas, relatos...Tem de Tudo
Embora contenham freqüentemente confissões, não podem ser considerados o retrato fiel do movimento mental de seu autor: a fala não é exata e perfeita transcrição dos pensamentos, e o mesmo ocorre (em um grau menor) com a escrita. Isso sem contar o indizível, o que as palavras não podem fotografar exatamente de seu autor (ou fotografam com mais ou menos foco, nunca o exato)
Diário não é "adjetivo"
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Segunda-feira, Abril 14, 2008
Teste
teste para ver se o Blogspot ainda quer colaborar com esta pessoa
(pra não desperdiçar este post provisório e continuar testando: Vídeo bem legal do Jens Lekman)
http://www.youtube.com/watch?v=tQGNy8HjrSM
Segunda-feira, Março 31, 2008
Atendendo a
(alguns) pedidos, eis a ressureição deste blog
postagens emocionantes e/ou ao menos, mais freqüentes, prometo
sim!
Stereovisor Reissue
P.s: agora eu quero sempre incluir alguma música/foto/vídeo ou algum mimo para a moçada
Pra começar algo nessa linha folk-fofo. É o The Battle of land and Sea. De Portland, Oregon. Eu acho perfeito pra ouvir de madrugada, e como em madrugada estou...
já se escreveu que "evokes dark forests and lost worlds", não muito distante de minha impressão
Have Fun